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Obra de consulta

Glossário

Os 50 termos do vocabulário regulatório e técnico da inteligência artificial aplicada à saúde, definidos em português — do que uma norma chama de alto risco ao que um fabricante quer dizer com acurácia.

Como ler

O glossário define palavras. O Mapa afirma fatos. Nenhum verbete aqui carrega data de vigência, artigo de lei como afirmação nem estado de norma — quando a definição precisa disso, ela aponta para a linha correspondente do Mapa Regulatório, que é onde vivem a data de acesso, a ressalva e o link para o documento original.

A restrição é deliberada e tem consequência prática: um glossário escrito do jeito natural — cada verbete contando o que a norma exige, com artigo e data — envelheceria junto com a legislação, em cinquenta pontos ao mesmo tempo. Este envelhece em 18 linhas, que é onde alguém já reabre os documentos.

Cada verbete tem endereço próprio e permanente — /glossario/#alto-risco — e pode ser citado sozinho. O glossário é publicado sob a mesma licença do Mapa, Creative Commons BY 4.0: pode ser usado com crédito.

14 verbetes

Como este site trabalha

O vocabulário do método — o que torna o Mapa auditável por quem não participou de nenhuma decisão.

Mapa

O conjunto das normas de IA em saúde que uma pessoa desta casa abriu no documento original e reconfere periodicamente. Tem teto declarado: quando enche, incluir uma norma exige tirar outra, e a troca fica registrada.

Panorama

A figura que mostra o que existe além do Mapa, inclusive o que ainda ninguém leu. Existe para que o branco do desenho não seja confundido com ausência de norma — não varremos o mundo inteiro, e isso precisa estar visível.

Linha

Cada norma do Mapa é uma linha, com endereço próprio e permanente. É o que permite citar uma exigência específica em vez do site inteiro — e uma linha publicada nunca é removida, porque o endereço dela pode estar na nota de rodapé de outra pessoa.

Asserido

Estatuto de uma linha cujo documento original foi aberto e lido por uma pessoa, com a data dessa leitura registrada. É o único estatuto que entra no Mapa.

Ver também Data de acesso Mapa

Candidato

Norma que sabemos existir e que ninguém desta casa abriu ainda. Aparece no Panorama com os campos faltando à vista, e nunca no Mapa — porque "achamos que exige" e "lemos que exige" são afirmações de naturezas diferentes.

Ver também Panorama Asserido

Fonte primária

O texto oficial da norma: o diário, o portal do legislativo, a resolução publicada pelo órgão que a editou. É o que se abre.

Fonte secundária

Qualquer relato sobre a norma que não seja o texto dela — notícia, alerta de escritório de advocacia, resumo de consultoria. O Mapa aceita quando o texto oficial não está acessível, mas marca na tela, porque a diferença entre ler a lei e ler sobre a lei é a diferença que este site existe para preservar.

Ver também Fonte primária

Data de acesso

O dia em que uma pessoa abriu aquele documento. Não é preenchida por máquina de propósito: um robô que escrevesse este campo o transformaria em decoração.

Conferido desde

O selo do Mapa, e ele recua até a linha conferida há mais tempo. É conservador por desenho — diz o pior caso, nunca a média.

Ver também Data de acesso

Vigência

A data em que a norma passa a valer. Enquanto é futura, o site conta os dias; quando é condicionada, a condição aparece junto — data condicionada exibida sem a condição é promessa, não informação.

Ressalva

O que ainda pode mudar naquela linha: um recurso pendente, um prazo de referendo aberto, um texto oficial que ainda não localizamos. Existe porque silêncio sobre incerteza conhecida é a forma mais barata de errar.

Obrigado

Quem responde pela exigência. É o campo que revela a divergência entre jurisdições: a mesma exigência, três continentes, três responsáveis diferentes — e é a divergência, não a convergência, que é notícia.

Jurisdição reguladora

A unidade do Mapa não é o país, é quem edita a regra. A União Europeia são vinte e sete países sob uma norma; os Estados Unidos são um país com dezenas de normas que se contradizem.

Teto do Mapa

O número máximo de linhas que o Mapa aceita. Não existe porque haja só isso no mundo, mas porque cada linha é reaberta no documento original por uma pessoa — e o teto é o número que uma pessoa sustenta. Um mapa maior seria uma promessa menor.

Ver também Mapa Panorama

6 verbetes

lista fechada

Os seis tipos de exigência

Os seis códigos com que o Mapa classifica o que uma norma exige. A lista é fechada: exigência que não couber em nenhum deles obriga a rever a taxonomia, nunca a forçar o encaixe.

Decisão humana

A máquina não decide sozinha — há revisão ou responsabilidade humana no ato. É o código mais comum do Mapa e também o mais enganoso, porque quem precisa decidir muda completamente de uma jurisdição para outra.

Dever de informar

O paciente, ou quem recebe a comunicação, sabe que houve inteligência artificial no caminho. O que varia entre as normas é se o aviso é sempre obrigatório ou se a revisão por um profissional o dispensa.

Risco e registro

Classificar o sistema por nível de risco, registrar, certificar ou notificar a autoridade. É a família que trata IA como produto sujeito a controle sanitário ou regulatório, não como ferramenta de uso livre.

Governança

A instituição responde: política interna, comissão, inventário dos sistemas em uso, auditoria. Desloca a exigência do ato individual para a organização que o permite.

Proibição

Uso vedado, ou restrito a ponto de equivaler a veto. É raro, e por isso é notícia: alguém decidiu que naquele ponto nem a supervisão humana basta.

Capacitação

Formar e manter a competência de quem opera o sistema. É a mais silenciosa das seis, porque não gera tela nem documento — gera treinamento, e por isso é a que mais escapa de auditoria.

6 verbetes

lista fechada

Quem é obrigado

Sobre quem a exigência recai. É o eixo que muda de jurisdição para jurisdição enquanto a regra permanece a mesma — e é a notícia que só aparece quando se lê os textos.

Médico

O profissional, individualmente. É o obrigado central do modelo brasileiro — e é justamente isso que o separa do europeu, onde a mesma exigência recai sobre quem fabrica o sistema.

Ver também Resolução CFM nº 2.454/2026 Obrigado

Instituição

Hospital, clínica, serviço de saúde. Recebe sobretudo as exigências de governança, que não se cumprem dentro de um consultório.

Operadora

Plano de saúde, seguradora, fonte pagadora. Não trata do paciente e mesmo assim decide o que ele recebe — por isso as normas que a obrigam entram no Mapa, ainda que não obriguem nenhum médico.

Ver também Obrigado Revisão de utilização

Fabricante

Quem coloca o produto no mercado. É o obrigado central do modelo europeu, que cobra de quem constrói antes de cobrar de quem usa.

Ver também Obrigado

Desenvolvedor

Quem constrói o modelo ou o sistema, tenha ou não colocado um produto no mercado. Aparece pouco no Mapa, e quase sempre junto do dever de informar.

Poder público

Órgão público que usa o sistema, e não que o regula. Distingue a regra dirigida ao Estado-usuário da regra dirigida ao Estado-fiscal.

17 verbetes

O vocabulário que as normas usam

As palavras que as próprias normas usam, na acepção em que os textos as empregam — que nem sempre é a do mercado.

Alto risco

Categoria do regulamento europeu que reúne as obrigações mais pesadas: gestão de risco, documentação técnica, supervisão humana, robustez. Boa parte do software com finalidade médica cai nela.

Ver também AI Act, alto risco — art. 6(1) / Anexo I AI Act, alto risco — art. 6(2) / Anexo III

Transparência (dever de)

No vocabulário europeu, o dever de deixar claro que há um sistema de IA na interação e de marcar conteúdo gerado artificialmente. É obrigação de camada própria, independente do nível de risco do sistema.

Ver também AI Act, art. 50 — transparência

Literacia em IA

O termo do regulamento europeu para a competência de quem opera um sistema de IA, e a base do código capacitacao no Mapa. A redação em vigor pede apoiar o desenvolvimento dessa competência — sem fixar um nível que alguém tenha de garantir.

Ver também AI Act, art. 4 — literacia em IA Capacitação

Supervisão humana

O desenho que permite a uma pessoa entender, interromper e contrariar o sistema. Não é sinônimo de decisão humana: supervisão é requisito de projeto do produto, decisão humana é responsabilidade sobre o ato — um sistema pode ser supervisionável e ainda assim ser usado sem que ninguém decida nada.

Ver também Decisão humana

Software como dispositivo médico (SaMD)

Software que, por si só, cumpre finalidade médica — diagnosticar, monitorar, predizer, tratar — e por isso é regulado como produto de saúde, não como aplicativo. É a porta pela qual a maior parte da IA clínica entra no controle sanitário.

Ver também Risco e registro

⚠ Definição redigida a partir do uso corrente do termo; ainda não reconferida contra a RDC da ANVISA.

Revisão de utilização

O processo pelo qual a operadora decide se autoriza, nega ou limita um procedimento pedido pelo médico. É onde a IA entrou primeiro na saúde americana, e é onde a legislação estadual mais se concentra.

Determinação de cobertura

A decisão da operadora sobre pagar ou não pagar por um cuidado. Interessa a este Mapa porque muda o que o paciente recebe, mesmo sem obrigar nenhum profissional.

Ver também Operadora

Prontuário

O registro do que foi feito e por quê. Quando uma norma manda registrar o uso de IA nele, o que se cria é rastro auditável — a diferença entre "usei uma ferramenta" e "posso provar como decidi".

Ver também Resolução CFM nº 2.454/2026

Sistema de apoio à decisão clínica

Software que sugere, alerta ou pontua para ajudar um profissional a decidir, sem substituí-lo. A categoria é antiga e anterior à IA generativa — o que mudou foi a opacidade de como a sugestão é produzida.

Conteúdo sintético

Texto, imagem, áudio ou vídeo gerado por máquina. Em saúde aparece sobretudo em comunicação com paciente e em documentação de consulta, e é o objeto típico do dever de informar.

Ver também Dever de informar

Explicabilidade

A capacidade de dizer por que o sistema produziu aquela saída, em termos que a pessoa responsável consiga avaliar. É diferente de transparência: transparência avisa que a máquina participou, explicabilidade justifica o que ela concluiu.

Ver também Transparência (dever de)

Viés algorítmico

Erro sistemático que atinge um grupo mais que os outros, quase sempre herdado dos dados de treino. Em saúde é especialmente grave porque os dados históricos registram desigualdade de acesso, e o modelo a reproduz como se fosse fisiologia.

Alucinação

Saída fluente, plausível e falsa. O termo é ruim — sugere falha excepcional quando é comportamento esperado de um sistema que estima a próxima palavra — mas é o que se consolidou.

Especialista

No Brasil é termo regulado: só quem tem Registro de Qualificação de Especialidade junto ao Conselho pode se apresentar assim. Este site não usa a palavra para descrever a autora — a formação está listada por extenso em /sobre/, com cada curso nomeado e datado.

⚠ Termo regulado pelo CFM. A casa não o usa para descrever a autora.

IA assistiva e IA autônoma

Assistiva propõe e uma pessoa decide; autônoma produz o resultado sem revisão humana. É a divisória que quase toda norma usa, e manter o sistema do lado assistivo é exatamente o que o código de decisão humana exige.

Ver também Decisão humana Supervisão humana

Comissão de IA e Telemedicina

Colegiado interno que uma instituição institui para responder pelo uso de inteligência artificial nos seus serviços. É a forma que a exigência de governança assume quando deixa de ser política escrita e vira gente com nome.

Ver também Governança Resolução CFM nº 2.454/2026 Instituição

Dado pessoal sensível

Na lei brasileira de proteção de dados, a categoria que inclui informação referente à saúde e recebe tratamento mais estrito que o dado comum. Quase todo dado que alimenta IA clínica cai nela.

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Como ler uma alegação de desempenho

O que é preciso saber para julgar um número anunciado. Nenhuma norma exige isto: é a parte de que o leitor precisa e que a lei não lhe dá.

Deriva de modelo

A perda de desempenho de um sistema ao longo do tempo, quando a realidade muda e ele não. Um modelo validado uma vez não permanece validado, o que torna a monitoração contínua parte do uso e não do lançamento.

Ver também Validação externa Prevalência

Validação externa

Testar o sistema em uma população diferente daquela em que foi construído. Sem ela, o desempenho publicado descreve o hospital de origem, não o seu.

Sensibilidade

De todas as pessoas que têm a condição, a proporção que o sistema identifica. Responde a uma pergunta só — quantos doentes ele acha — e não diz nada sobre quantos saudáveis ele acusa por engano.

Especificidade

De todas as pessoas que não têm a condição, a proporção que o sistema classifica corretamente como negativas. É a metade que a sensibilidade não cobre, e as duas sempre se leem juntas.

Ver também Sensibilidade

Acurácia

A proporção total de acertos do sistema. É o número mais divulgado e o mais enganoso: numa condição rara, um sistema que responde "não" a todo mundo acerta quase sempre — e não serve para nada.

Ver também Prevalência Valor preditivo positivo

Valor preditivo positivo

Dado que o sistema apontou positivo, a probabilidade de a pessoa de fato ter a condição. É o número que importa no consultório, e o único dos quatro que muda conforme a população examinada.

Ver também Prevalência Sensibilidade

Prevalência

Quantas pessoas têm a condição na população examinada. É a variável que o fabricante não controla e que reduz o valor preditivo positivo quando o sistema sai do hospital onde foi construído para um de perfil diferente.

Ver também Valor preditivo positivo Validação externa

De onde vem

As definições são escritas para este site, a partir do texto das normas que o Mapa Regulatório acompanha e do uso corrente na literatura clínica. Não são tradução de glossário de terceiro e não substituem o texto legal: onde a diferença entre a definição e a norma importar, vale a norma, e o caminho até ela está na linha do Mapa.

As famílias Os seis tipos de exigência e Quem é obrigado são fechadas: todo código de obrigação e todo papel que o Mapa usa tem verbete aqui, e a falta interrompe a publicação do site. É a mesma proteção que impede uma linha do Mapa de ir ao ar sem fonte.